Especial Chile: Viña Almaviva


Depois da Centolla fomos a famosa Almaviva. Não é muito longe de Santiago para falar a verdade. Como todos sabem esta vinícola é uma Joint Venture entre a chilena Concha y Toro e a francesa Baron Phillipe Rotschild, podemos dizer que o resultado é um vinho franco-chileno. Foi uma tarde prazerosa onde vimos alguns vinhedos e percebemos uma série de conceitos diferenciados de vinificação.

Fomos muito bem recebidos pela guia Soledad que nos contou rapidamente sobre a história da vinícola e nos mostrou os vinhedos de Merlot, cepa que foi introduzida no corte do vinho recentemente.
O Almaviva é um corte bordalês, trocando em miúdos para quem não é do mundo do vinho, é um vinho feito a partir de várias uvas todas originárias de Bordeaux, na França. Inicialmente o vinho era composto de duas uvas: Cabernet Sauvignon e Carmenére, após alguns anos a Cabernet Franc foi introduzida no Blend e finalmente e recentemente a Merlot! Esta "mistura" procura trazer mais complexidade ao vinho. Já estão plantados os vinhedos de Petit Verdot, nova e quinta uva que será utilizada.
Pela utilização de todas essas cepas é que afirmo um vinho franco-chileno, mas não só por isso. Também pelo fato de usarem conceitos mais tradicionais de vinificação como o conceito de gravidade, onde as uvas são transportadas nos cestos para o alto da vinícola (mezanino) e lá são selecionadas.
Aliás já que estamos falando em seleção, o trabalho é feito exclusivamente por mulheres, na colheita, na seleção, no engarrafamento, enfim, em tudo! Exceção quando trata-se de carregar peso (os cestos) isso fica para os homens... Ao todo são 14 pessoas trabalhando na seleção das uvas.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a explicação da prensagem das uvas. Na Almaviva ela é feita em quatro níveis após a fermentação do mosto. O que quero dizer é que depois do mosto fermentado (suco da uva numa explicação mais simplória) são retiradas as cascas e estas são conduzidas as prensas que atuarão conforme o enólogo entender que é melhor para o vinho, ou seja a força da prensa varia conforme o nível de qualidade que o mosto atingiu.
Hoje a Almaviva tem capacidade para a produção de 350 mil litros de vinho, atualmente são produzidos de fato 100 mil litros. Como detalhe, mas não menos importante, rótulos, garrafas, rolhas tudo importado mesmo aquilo que tem produção no Chile. Por exemplo as garrafas poderiam ser chilenas mas segundo o pessoal da Almaviva são trazidas da França pois no Chile as melhores garrafas ainda possuem micro imperfeições o que podería prejudicar o envelhecimento do vinho.
Em algumas safras é produzido o EPU, segundo vinho da casa que só é comercializado no Chile. Um belo vinho que tem uma personalidade diferenciada do Almaviva mas nem por isso de menor qualidade. A safra 2007 do EPU está espetacular, palavras da Soledad, mas ainda não disponível para comercialização, está amuderecendo nas barricas de carvalho. O EPU descansa os mesmos 24 meses em carvalho que o vinho principal da casa.
Degustamos o Almaviva 2002 que não possuía a Merlot em seu corte ainda. 14,5% de álcool que estavam claros nas lágrimas que abundavam nas paredes da taça. O vinho tem cor rubí e o reflexo violáceo começa a perder força.
O nariz deste vinho é complexo! Os aromas remetem a frutas negras e maduras, anis, baunilha, especiarias e chocolate. Mas há outras coisas, como um toque herbáceo que alguém citou como aromas de raízes, bem interessante.
O Almaviva enche a boca! Boa integração do conjunto com excelente nível de acidez para sua idade além de bom corpo e longa persitência. Sem amargor e uma aresta de álcool sobrando.
Abaixo você pode curtir fotos dos vinhedos de Merlot, da exuberante sala de barricas e da "caixinha" de Almaviva com seis safras que custa a bagatela de USD 1.000,00. Um EPU na vinícola custa USD 25 enquanto o Almaviva sai por USD 150.
Forte Abraço!

11 comentários:

  1. Cristiano,


    Excelente sua visita. Por um dia não consegui fazê-la. Explico: retornava no domingo e só consegui agendamento para segunda. Mas não voltei de mãos abanando: trouxe um EPU 2006. O curioso é que em fevereiro de 2007 um amigo trouxe o 2001 que foi encontrado com dificuldade em Santiago. Já o 2006 foi encontrado com alguma facilidade e por preço razoável, por cerca de R$ 60.

    Abraço


    Jeriel

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  2. Jeriel,

    Pelo que entendí apenas a vinícola comercializa o EPU 2001, a USD 25, diretamente ao consumidor, ou aos restaurantes... onde voce pode comprar também.

    A loja da Concha y Toro na Av Alonso Cordova comercializa o EPU 2006 a USD 33.

    Forte Abraço!

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  3. Mais barato nos Estados Unidos do que na vinícola, isso lá faz algum sentido? Nos E.U.A. a média de preço do Almaviva é US$75 e em Nova York pode-se encontrá-lo por US$69!!

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  4. Gde João,

    É verdade! Tinha me esquecido disso... Na Europa custa cerca de USD 80 e a explicação foi a mesma de sempre... impostos... Não é só o Brasil que sofre desse mal...

    Outro fator interessante, cerca de 70% da produção do Almaviva é comercializada pelos famosos negociantes francesas, os mesmos que comercializam os vinhos Baron Philip de Rotschild... devem comprar num preçinho camarada...

    Forte Abraço!

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  5. Senhores;

    Acabo de comprar Almaviva 2006 por Us$105 no Duty Free do Panamá.
    Quer estiver passando por lá é uma poa sugestão.

    Abraço,

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  6. Comprei o 1998 por CAN$ 106 no Canadá. Como no Brasil não sai a menos de R$ 600, não hesitei.

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  7. Cristiano, você lembra quanto pagou pelo tour e degustação? A degustação é de somente 1 taça mesmo?

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    1. Omar, não me lembro do custo e realmente é uma taça de vinho só mesmo... pelo menos era... Abs!

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  8. Alguém sabe quanto custa o almaviva em Santiago?

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  9. Respostas
    1. O preço do Almaviva no Chile gira em torno de $ 140.000

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