Opinião Vivendo Vinhos: Por que não a Marselan?

A Marselan é um cruzamento da Cabernet Sauvignon e da Grenache e produz vinhos de muita estrutura e caráter, vinhos com personalidade! Normalmente estes vinhos são encorpados, com grande volume tânico e acidez em alta, são intensos e complexos tanto em seus sabores como em seus aromas, não são nada óbvios...
Bom o fato é que o vitivinivultores brasileiros tem obtido excelentes vinhos desta uva, pelo menos sob o meu ponto de vista de consumidor. Toda vez que bebo um Marselan percebo potência aliada a equilíbrio com boa integração, me encanta...
Mas o que me chama a atenção mesmo é que o produtor nacional parece não investir na divulgação destes vinhos, apesar de boa parte deles ter pelo menos um rótulo a disposição no mercado. Pergunto: Por que não a Marselan???
Por que nós consumidores não damos um pouco mais de atenção a ela? Por que os produtores nacionais insistem tanto na Merlot? Por que não acreditam mais na Marselan? Vamos enviar esses vinhos para concursos, acredito que terão bons resultados... Por que não fazemos como a África do Sul e crescemos com uma uva diferente? Uma uva pouco conhecida como nos casos argentinos e uruguaios...
Fica aqui a constatação de que os rótulos de Marselan a disposição em nosso mercado são bons e que tem potencial. Que tal experimentar um? Sugiro o Terragnolo Marselan ou o Identidade Marselan... Quem sabe nós consumidores não damos esse 'empurrãozinho' para a Marselana brilhar...
Forte Abraço!

Casale Vechio 2007

Tinto, Montepulciano
País: Itália - Abruzzo
Preço: R$ 67
O popular macarrão é um dos pratos preferidos do domingão... pode ser o da Nona, o da Mama, um novo que a gente inventa com o que tem na geladeira... mas ele sempres está por lá! Alguns de vocês já devem ter percebido que eu gosto de uma massa e ela sempre aparece no "Almoço de Domingo".
Desta vez era um sábado e fiquei cerca de uma hora na cozinha fazendo um belo molho de calabresa, o crime já estava desenhado em meus pensamentos, na adega uma garrafa de Montepulciano D'Abruzzo... uma espécie de 'patinho feio' da Itália, apesar da popularidade que tem por lá.
Falo em 'patinho feio' porque estamos acostumados com os vinhos do Norte da Itália (Toscana e Piemonte), mas no Centro Sul temos boas opções e os Montepulcianos são vinhos gastronômicos e agradaveis de beber.
Nosso vinho de hoje apresentou um pouco mais de peso do que eu esperava, próximo de um estilo 'novo-mundista', mas a característica gastronômica italiana estava presente mantendo sua essência.
Na taça cor rubí intensa com forte reflexo violáceo e sem halo aparente. Lágrimas abundantes na taça, 14% de álcool. Os aromas remeteram a flores e frutas maduras, como ameixa e cereja evoluindo para notas de chocolate, couro e interessantes notas defumadas. Boa intensidade aromática.
Na boca a potência surpreendeu, com alto volume tânico e maduro. Bom corpo, boa acidez e retrogosto frutado, deixando a boca pedindo por mais um gole. Boa persistência.
Pode ser guardado por mais dois anos. Deve acompanhar pratos de bons volumes de sabor, como embutidos e carnes bovinas gordas. Fica a foto do Fusilli a Calabresa que fiz para acompanhar...

Angheben Touriga Nacional 2005


Tinto, Touriga Nacional
País: Brasil
Preço: R$ 38
A safra 2005 para o Brasil é histórica, praticamente mítica, enfim é especial! E eu ao longo desses anos venho guardando alguns vinhos desta safra com o objetivo de experimentá-los em um momento teoricamente melhor, mais próximos da plenitude do vinho.
Atualmente estes vinhos estão com 06 anos e acredito que estejam encontrando o seu ápice, salve-se alguma surpreendente exceção, portanto é oportuno abrir estas garrafas e apreciar.
O primeiro foi aberto ontem, de forma despretensiosa para comemorar uma dia feliz e o encerramento de mais uma boa semana de trabalho. Foi este vinho da Angheben, um varietal de Touriga Nacional, uva portuguesa que  praticamente não é plantada fora de Portugal. A Angheben é uma exceção e fez um vinho com caracteríticas tupiniquins e lebranças lusas...
Na taça a cor é rubí profunda com suave reflexo âmbar. O halo aquoso é aparente e as lágrimas correm pelas taças lentamente. Os aromas são de média intensidade, característica tupiniquim, mas o painel é amplo e apresenta flores, café e frutas secas como a tâmara, lembranças lusas...
Na boca o ataque apresentou suave dulçor, acidez moderada, corpo médio e taninos maduros e suaves. Agradável e fácil de beber, pode harmonizar com pratos mais leves e sem molhos gordurosos, como os que são feitos a base queijo. Prefiro ele com carnes tenras como peru ou coelho.
Forte Abraço!

Hayes Ranch Pinot Grigio 2007


Branco, Pinot Grigio
País: EUA - San Francisco Bay
Preço: R$ 45
Quem me conhece sabe que os vinhos americanos sempre me despertaram curiosidade no mínimo... Sabem que eu adoro Zinfandel e que sempre experimento tudo que posso.
Nosso vinho de hoje é de San Francisco Bay e é de uma cepa italiana, a Pinot Grigio, que na bota costuma dar vinhos leves, aromáticos e despretensiosos.
Este exemplar norte-americano tem algumas diferenças, apresnetou cor amarelo esverdeada e muitas lágrimas na taça. Os aromas eram muito intensos e agradáveis, traziam frutas brancas e cítricas, destaque para maçã verde.
Já na boca o corpo era médio, o vinho apresenta um pouco mais de "peso" em relação aos primos italianos, mas o equilíbrio se faz presente com boa acidez e nenhum sinal de álcool ou amargor.
É um vinho que seca bem a boca e acho que pode harmonizar com patês leves como de queijos suaves, nada de gorgonzola! Mas como mantém aquela despretensão prefiro ele só, uma taça para cada convidado e um belo brinde!
Forte Abraço!

Le Bon 2007, no ápice!!! #cbe

Tinto, Pinot Noir
França - Borgonha
Domaine Ballorin
Preço R$ 88
Mais um vinho da Confraria Brasileira de enoblogs por aqui. Desta vez o tema foi Borgonha de bom custo-benefício. Tema difícil porque os Borgonhas são naturalmente caros, digamos assim...
Mas este vinho estava em promoção por R$ 44, o preço dele é R$ 88 na verdade, mas numa promoção dessas... e posso dizer que não tenho como me arrepender da aquisição.
Na taça cor âmbar dominava, para quem não conhece de vinho pode até estranhar mas é natural a evolução do vinho para esta cor. Poucas lágrimas e halo aquoso aparente.
A partir daí uma experiência sem igual... Aromas secundários dominando o painel, com chocolate amargo, alcaçuz, resinosos, notas terrosas e animais, como couro e estrebaria, e por fim frutas passadas como tâmara.
Na boca o equilíbrio perfeito entre taninos, acidez, álcool e corpo leve! Tudo isso com uma delicadeza ímpar. Um belo vinho!
Para ser bebido agora e sem comida... Desfrute!
Forte Abraço!

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