Especial Uruguai: Bodega Pisano, Única!

Depois de termos visitado a Marichal rumamos para Progresso, vilarejo onde fica a Bodega Pisano. Eu já era fã da vinícola, especialmente por um vinho que postei por aqui há alguns meses. E visitar a Pisano foi das experiências mais legais que tive e foi assim por causa de um tal Daniel Pisano. 
Era meio de tarde quando chegamos a Pisano, fomos recebidos pela Gabriela e pelo Ignacio, responsáveis pela exportação da vinícola. Depois de algumas palavras fomos até os vinhedos e por lá ficamos conversando sobre a vinícola, produção e exportação. Soubemos que a Pisano é o maior exportador de vinhos do Uruguai, etc e tal. Mas eis que sorrateiramente chega ele, Daniel Pisano. 
De sorriso largo no rosto e carismático, Daniel é um dos 03 irmãos Pisano, os outros dois são Eduardo e Gustavo, que também tivemos a oportunidade de conhecer. A partir da presença do Daniel a energia da visita mudou, o homem é irreverente e muito bem humorado. Logo nos tirou dos vinhedos e nos conduziu até uma adega subterrânea da família, onde estão guardadas verdadeiras preciosidades, vinhos de diversas décadas, ficamos babando... 
Logo subimos para uma sala de degustação com o único Parriforno do mundo, pensei: Que será isso? A explicação venho, está lá no Diário de Baco do amigo Alexandre Frias, com quem tive o prazer de viajar. Nessa sala ficamos umas duas horas provando vinhos mas sobretudo aprendendo com Daniel. 
Inúmeras coisas foram ditas, como o porque de não terem estrutura para Enoturismo, restaurante, etc. Simples! O foco está na produção, esse é o objetivo da vinícola, ponto! Conversamos também sobre o Torrontés da vinícola, o único fora da Argentina, Daniel contou a história de como trouxe a muda para o Uruguai e falou com muito orgulho do vinho, sempre insistindo na palavra único. E foram tantas mais histórias contadas... únicas!
Daniel Pisano
É fácil perceber o orgulho que Daniel tem da Bodega Pisano, dos vinhos, irmãos, família, etc. Mas a Pisano não é especial por fazer o único espumante de Tannat que conhecemos, ou o único Torrontés de fora da Argentina, ou o único Licor de Tannat (vinho de sobremesa) que mistura os métodos do Amarone e do Porto. A Bodega Pisano é úncia porque todos ali fazem dela uma lugar sem igual, um lugar especial. 
Portanto os vinhos são para lá de especias, quando puder experimente o Rio de Los Pajaros Tannat, o Tannat/Syrah/Viognier, o Licor de Tannat, o Arretxea, o RPF Tannat ou o RPF Pisano. Você beberá excelentes vinhos, vinhos que tem o estilo do produtor, não só pela estrutura que buscam quando o fazem, eles querem "vinhos de corpo", vinhos com essa característica. Mas existem outras características marcantes nos vinhos da Pisano, a inovação é uma delas, vinhos com uvas e métodos que não são tradicionais no Uruguai...  
A Pisano é isso, simpatia, irreverência, inovação, capacidade e cordialidade. Um espetáculo a parte. Ainda tivemos tempo de experimentar sorvete de creme com figo em caldas e Licor de Tannat, delicadamente derramado sobre a sobremesa... 
E conhecer a fantástica coleção de motos do Daniel... 
Forte Abraço!

Especial Uruguai: Bodega H Stagnari

A primeira visita que fizemos foi na Bodega H Stagnari, bem próxima a Montevidéu chegamos lá rapidamente no início da manhã de sexta-feira. Fui muito bem recebidos por lá, com um tratamento muito profissional. Passei cerca de uma hora na Stagnari, uma hora muito agradável. 
A H Stagnari tem duas propriedades, uma próxima de Montevidéu, a qual visitamos e onde se produz vinhos brancos, experimentei um ótimo Chardonnay, com aromas de frutas brancas maduras, flores e mel. Bom corpo e boa acidez. Esse terroir mais próximo de Montevidéu foi entitulado de "La Puebla". 
Não confundir com a linha de vinhos tintos que se chama La Puebla também, mas que são produzidos no terroir de Salto, ao norte do Uruguai. De lá provamos um interessante Syrah e o ícone Viejo, o vinho tem no contra-rótulo muitos dos prêmios que recebeu ao longo de sua história. Sem dúvida é um belo vinho, com muita complexidade e potência, ao melhor estilo Novo Mundo. 
Aliás, falando em prêmios... a H Stagnari foi a mais vaidosa das vinícolas que visitamos, a sala de degustação tem prêmio até no teto... tô falando sério... é legal divulgar os prêmios, mas ostentar desse jeito é um pouco de exagero... 
Mas não nos prendamos a isso, afinal a visita vale muito a pena e os vinhos são muito bons.  E ainda tivemos a oportunidade de ver a rotulagem de alguns vinhos... 
Forte Abraço!

Especial Ururguai: Bodega Marichal

Realmente no Uruguai podemos dizer que o vinho tem o estilo determinado por seus produtores, a Marichal exemplifica muito bem este pensamento. Nela você encontra vinhos marcados pela elegância, elegância que sobrepuja em muito a esperada potência da Tannat. 
Isso vem da proposta do Enólogo e sócio da vinícola, o Sr Juan Andrés, muito capacitado e perspicaz por duas ou três vezes demonstrou a preocupação que tem com excesso de madeira nos vinhos assim como a possibilidade de um Tannat muito rústico, marcado por intermináveis taninos duros e verdes. 
Juan Andrés Marichal, Sócio e Enólogo
Ainda no vinhedo percebemos os cuidados para que a fruta seja colhida no seu auge de maturação a fim de proporcionar um belo vinho. O manejo e as técnicas de preservação contra as pragas e fungos são explicadas de forma clara e objetiva. 
Vinhedos Bodega Marichal
Depois uma rápida visita a cantina onde conhecemos as salas de barricas os tanques de cimento revestidos com Epóxi e o laboratório. Nesse momento percebemos a preocupação com a madeira, Juan chegou a ser taxativo que os principais vinhos da Marichal passam por barricas de primeiro, segundo e terceiro uso, tem o objetivo de dar complexidade ao vinho sem sobrepujar a fruta. 
Na sala de degustação, muito charmosa diga-se, nos contou como criou o inusitado Marichal Reserve Collection Pinot Blanc de Noir Chardonnay, um vinho que não quer ser rosé nem branco, marcado por uma mistura de aromas de frutas vermelhas e frutas secas, agradabilíssimo ao palato. Também nos contou as razões do corte de Pinot Noir e Tannat que produz e pudemos perceber também que a Marichal tem como um de seus valores a Inovação. 
Ainda experimentamos 03 varietais de Tannat, o Premium Varietal, o Reserve Collection e Grand Reserve. Todos numa ordem crescente de complexidade e elegância. Gostei muito do Premium Varietal, este tem um tempo menor de contato com as cascas no processo de vinificação, assim fica mais redondo e com uma carga tânica menor, nem parece Tannat, é um belo vinho para começar a conhecer a vitivinicultura uruguaia. 
Saí da Marichal impressionado, como meu amigo Alexandre Frias me avisou que seria... 
Forte Abraço!

Especial Uruguai: Bodega Pizzorno

Visitar a Bodega Pizzorno é das experiências mais agradáveis que tive nas minhas andanças pelo mundo do vinho. Isso porque Carlos Pizzorno é um sujeito especial, faz das horas que passamos com ele um momento prazeroso e único. 
Carlos Pizzorno e este blogger
O proprietário da vinícola tem um trato simples e gentil que, segundo ele, fez com que ganhasse o apelido de Embaixador por alguns amigos brasileiros. De fato o apelido é merecido, com aquele largo sorriso e atento a cada detalhe de nossas perguntas e comentários, não deixa passar nada, ao ponto de mal termos descido do carro e já estarmos sendo recebidos pela sua simpatia. 
Vinhedos da Bodega Pizzorno
Logo nos levou aos seus vinhedos e pudemos constatar ali mesmo, em pouco mais de 20 minutos de conversa, aquela qualidade fundamental dos bons produtores: humildade! Vimos que apesar de todo conhecimento e da vinícola estar na terceira geração, há cem anos produzindo, desde 1910, Carlos reconhece que tem muito a aprender e que só se propôs a fazer vinhos de alta gama há pouco tempo. Eu posso dizer que ele aprende rápido!   
Condução em lira
Nos vinhedos pudemos conhecer a condução em lira, semelhante a espaldeira, porém com o fato de ser uma espécie de V ao invés de ser apenas uma linha, a foto demonstra claramente. Importante ressaltar que apenas a parcela do vinhedo de menor rendimento utiliza desta forma de condução. 
Soubemos também que apesar de todos os recursos e tecnologia existentes hoje em dia, na Pizzorno o momento da colheita é definido através da prova da uva.
Algumas dificuldades que os produtores brasileiros enfrentam aqui se repetem no Uruguai, a principal delas é a chuva, que começa muito cedo, é preciso ter sangue frio no mês de março. Aliás a colheita das brancas, usualmente ocorre no final de fevereiro e as tintas até meados de março. 
Depois de pouco mais de 01 hora visitamos a cantina propriamente dita, os grande tanques de cimento revestidos de epóxi, os tanques de inox e a sala de barricas e uma agradável surpresa, além das tradicionais barricas francesas e americanas, a Pizzorno também utiliza barricas de carvalho com origem no leste europeu, o objetivo é proporcionar mais complexidade ao vinho. 

Na mesa pudemos constatar isso em alguns vinhos. Provamos ao todo 08 vinhos, todos de boa qualidade mas vou comentar 04 deles, os que mais me encantaram. Já comentei por aqui o Don Próspero Sauvignon Blanc, nesta visita tive a oportunidade de experimentar o Don Próspero Sauvignon Blanc Reserva, que tem 30% do vinho estagiando em barricas francesas novas por 02 meses, o que acrescentou suave untuosidade ao vinho disfarçando aquela acidez mais rústica da Sauvignon Blanc, gerando um conjunto muito intenso e prazeroso. 
Da mesma linha, Don Próspero, experimentei o Pinot Noir 2011, safra que vem comprovando sua qualidade na taça, boa tipicidade sem aquela fruta vermelha fresca exagerada dos Pinot's do Novo Mundo, notas de couro presentes, na boca corpo médio, boa acidez e persistência, uma ótima compra. 
O Pizzorno Tannat Reserva 2008 foi o varietal de Tannat mais equilibrado que provei. Muita estrutura sim, mas amplo em boca com muita acidez, muito corpo, untuosidade e retrogosto persistente. Os aromas florais e característicos da Tannat bem marcados e não sendo encobertos pelas deliciosas notas de cacau e defumado das barricas americanas, estágio de 12 meses. 
E por fim o Primo 2006, o vinho ícone da Pizzorno. Corte a base de Tannat com Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. Muito complexo, digno de decanter, pelo menos 30 minutos, e para beber sem pressa. Só assim para acompanhar todos os nuances dessa maravilha!

Cor rubí violácea, chorão! Aromas de frutas negras e vermelhas maduras, nuances herbáceos, ervas e especiarias. Evoluindo para açúcar mascavo, cacau, bala toffe, couro e balsâmico. E eu tinha que ir embora... Na  boca estrutura, taninos volumosos e maduros, acidez vibrante e aquela pegadinha alcoólica que me alegra e amacia o palato. Um vinho para grandes pratos, grandes amigos e grandes momentos! 
Forte Abraço!

Especial Uruguai: Almoçando na Bodega Bouza

Monte Vide Eu, o vinho premium da Bouza
Visitamos a Bouza no segundo dia de viagem que fizemos ao Uruguai. Das vinícolas que visitamos é a mais preparada para receber o 'enoturista', é linda! Tem um belo restaurante, um interessante museu de carros, que agrada mesmo os leigos como eu, e é claro tem bons vinhos! 
Aliás, foi por esse último motivo que fizemos questão de visitá-la! Já havíamos provados alguns muito bons por aqui. O que chama a atenção, já que a Bouza é uma bodega nova com pouco mais de 10 anos de idade, que surgiu do desejo de seu patriarca, um empresário de muito sucesso no Uruguai. 
Começou com 05 uvas, Tannat, Merlot, Tempranillo, Chardonnay e Albariño. Uma para cada filho. Uvas francesas e espanholas devido a ascendência familiar. Simples assim, mas desde o início marcada pelos conceitos empresarias modernos, como Marketing e Investimento em Tecnologia. Aliás pode ser percebido claramente a tecnologia nos conceitos utilizados no cultivo das vinhas e na produção dos vinhos, basta observar atentamente o wine tour. 
Outro fato que fica claro é a estratégia de valorização da marca Bouza, muitos dos vinhos são apresentados com o nome da uva e da 'parcela' do terreno, como o Tannat A6. Podería ser dado um nome aquele pequeno terroir, como os franceses fazem ou mesmo os uruguaios, na visita a Bodega H Stagnari, para as uvas brancas eles tem o terroir de 'La Puebla'. Mas na Bouza o vinho se chama BOUZA Tannat A6, uma boa sacada! 
Estratégias a parte, cada parcela é numerada e corresponde a meio hectare de terreno, tem normalmente planta uma única variedade e busca a excelência quando se trata de qualidade final, isso pude experimentar. 
Após o Wine tour fomos devidamente instalados debaixo de um parreiral para almoçarmos (foto acima), na boa... foi surreal! E foi nesse lugar mágico que pudemos constatar a qualidade da safra 2011 no Uruguai, em todas as vinícolas que visitamos fala-se muito bem de 2011. 
Enfim... logo pedimos o Albariño, para saciar nossa sede e curiosidade e para acompanhar os camarões abaixo. Um vinho que mostrou personalidade, com bom frescor e notas de fruta cítrica fresca salientes. Harmonizaram muito bem com os camarões que pedimos de entrada.
Na boca uma suave untuosidade, oriunda de um pequeno estágio de 03 meses em barricas de 30% do vinho, o que deu mais elegância e complexidade ao mesmo, inclusive o tornando mais fácil ao palato, porém é estranho sentir aromas de coco num albariño, isso não dá para deixar de lado... Mas não posso dizer que prejudicou o vinho, afinal ele é muito bom. 
Seguimos por mais uma agradável hora com Abadejo, legumes e suflê de goiabada. Aí apareceu o Ignácio, um inconformado garçom que vende até a mãe, me perdoem. Mas o cara com jeitinho foi convencendo a gente a experimentar o Tannat Sin barrica 2011. Mas, 'Ignácio, Tannat precisa de tempo para afinar?' perguntei... 'Esta é uma safra excepcional', foi a resposta, 'Um Tannat como você nunca experimentou!'. 
E foi mesmo! Muita fruta vermelha madura, nuances herbáceos e florais muito atraentes. Na boca grande volume, com bom corpo e taninos surpreendentemente finíssimos e integrados ao conjunto. Boa acidez e retrogosto confirmando as frutas. Realmente um belo Tannat! 
Mas o melhor da viagem foi outro... conto em outro post! 
O amigo pode conferir mais dessa viagem no Diário de Baco, do amigo Alexandre Frias que me acompanhou pelas planícies uruguaias. Ou no marcador Enoturismo aqui do blog. 
Forte Abraço!

Pisano RPF Petit Verdot 2007 e 2008 #cbe

uva petit verdot
Por uma coincidências dessas da vida, o tema do mês da CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs) é um vinho tinto uruguaio de até R$ 100. E já que estou falando de Uruguai devido a minha recente viagem, ficou um tema muito prazeroso de fazer. 
Experimentei mais de 40 rótulos em minha viagem, mas não foi lá que escolhi este vinho... eu já o tinha na minha adega há algum tempo... só pensei que seria mais uma coincidência experimentá-lo na Pisano... mas não foi! Afinal em casa eu tinha o 2007 e em Progresso bebi o 2008! 
foto: www.vinhoparatodos.com
Assim surgiu a oportunidade de fazer uma espécie de post especial para a CBE, com duas safras do mesmo vinho. Então vamos aos vinhos! Primeiro fato importante é que o vinho tem consistência, as duas safras mostraram boa qualidade e uma paleta olfativa vasta. 
O 2007 está no auge, cor rubi intensa, aromas de frutos negros maduros evoluindo para uma geleia de amora, mas antes passando por especiarias, pimenta do reino, carne e balsâmico. Na boca está redondo! Carga tânica elevada, mas fina e prazerosa, acidez em alta, bom corpo, retrogosto confirmando a geleia de frutas negras. Boa persistência! 
O 2008 foi provado com mais outros 10 rótulos da vinícola, mas essa visita merece um post especial. De qualquer forma dentro do painel ele foi um dos vinhos que se destacou. Mais violáceo em sua cor, e com aromas mais frescos como herbáceos e frutos vermelhos. Na boca tem ainda mais corpo, mas equilibrado já que possuí mais carga tânica e madura, envolvente! Conjunto bem integrado, de elevada acidez e retrogosto perene. 
O primeiro pede uma parrilla de carré de cordeiro, bem temperada com ervas e pimenta. O  segundo pede algo mais animal, mais suculento, acho que com um Bife de Ancho vai ficar bacana. 
Forte Abraço!

Especial Uruguai: Montevidéu, Árvores & Céu


Logo que chegamos a Montevidéu algo me prendeu a atenção na capital uruguaia, foi a quantidade de árvores espalhada por todos os bairros e locais que vistei, talvez a exceção fique na região portuária. Algumas são imensas! Capazes de cobrir da visão prédios de 04 até 06 andares. 
Realmente Montevidéu é uma cidade muito agradável mistura essa parte verde com uma orla a beira da bacia do Prata. São mais de 20 km de calçadas largas e confortáveis para que os cidadães uruguaios possam fazer uma prazerosa caminhada. Após as calçadas, em muitos pontos, ainda há uma faixa de uns 20 metros até as águas, onde encontramos as típicas palmeiras, gramado e vemos muitos pescando. 


Outro ponto que me chamou a atenção, ainda falando do urbanismo da cidade, foi o recuo das casas em relação a ruas, tive a sensação em alguns bairros de mais de 10 metros de recuo. Com as grandes árvores, não posso dizer que vi muitas casas... 
Mas fiquei com aquela sensação de só ter céu em Montevidéu, no Urugauai como um todo, ao longo de todas as planícies que corremos e na capital, tem um céu para cada um!
A parte de gastronomia foi pouco explorada por nós, concentramos os "esforços" na famosa carne uruguaia e as sensacionais parrillas. Visitamos dois bons restaurantes: El Fogón e La Fonda del Puertitos. O atendimento é bom mas a carne é melhor! Vale a pena conhecê-los! Apenas para complementar foi no primeiro (El Fogón) que tivemos a experiência gastronômica da viagem, tema para outro post... 
Forte Abraço!

Pedro & Inês 2004 - Vinho, História & Amor


Uma das mais lindas e trágicas histórias de amor de Portugal, e porque não do mundo, está imortalizada numa garrafa de vinho. A Dão Sul, através da Quinta do Cabriz, teve a ousadia de fazer esse vinho que mistura amor, paixão, magia e poesia ao vinho. 
Nesta tarde pude abrir este rótulo e desfrutar de seus nuances. Mas antes de falarmos do vinho em si, fica aqui o link para um breve relato da história de D Pedro I e Inês de Castro, feito a perfeição pelo amigo João Filipe Clemente do Falando de Vinhos, é só clicar
Esse vinho produzido na região do Dão, me parece, foi idealizado a partir da personalidade dos protagonistas dessa história, é um corte de Baga e Alfrocheiro. Esta última representaria a beleza de Inês, o seu lado irresistível e sedutor. Já a Baga, através de sua força e rusticidade, representaria D Pedro, em seu momento de frustração e fúria, no qual jurou vingança aos assassinos de Inês. 
O assemblage forma o casal, o amor, o algo a mais... e seguindo esse raciocínio, acredito, o enólogo fez 50% para cada uva. E realmente me pareceu que este vinho tem algo a mais... 
Ainda de um rubi vivo e sem reflexos, apresentou aromas de frutas passas, com destaque para tâmaras, nuances de evolução claros, como carne, terra molhada e chocolate amargo. Na boca a confirmação das frutas passas, alta acidez, médio corpo e taninos finíssimos. Um conjunto muito bem integrado, definitivamente vivendo o seu auge! 
Tentei harmonizar com dois risotos, um de linguiça com Barolo e outro de parmesão. Nenhum dois dois decepcionou, nem foi a perfeição, mas o vinho com o risoto de linguiça com Barolo teve ótimos momentos, com a fruta ganhando mais evidência. 
Forte Abraço!

Sabe o que é mais RIDÍCULO na Salvaguarda???

www.coisasridiculas2.blogspot.com
A Salvaguarda tem trazido muita repercussão negativa ao vinho brasileiro e sua imagem. Alguns donos de restaurante estão excluindo rótulos de suas cartas. Nas redes sociais a revolta é crescente e a imprensa especializada tem se manifestado contrária a medida. 
Eu, como todos que citei aqui, sou contra a limitação da escolha do consumidor. Só que não vou ficar aqui expondo minhas óbvias razões, afinal o mercado como um todo já está dando essa resposta. 
Só fico aqui pensando, com a seriedade que espero que o governo e a SECEX tenham, se não for pedir muito... Por que devemos ter uma Salvaguarda numa indústria que tem números tão modestos em termos de economia nacional? Correndo ainda o risco de retaliação sobre produtos que tem importância muito maior para a economia brasileira? 
Agora supondo que encontrasse argumentos suficientemente sustentáveis para aprovação da Salvaguarda para o vinho, então eu me faria a pergunta mais RIDÍCULA: Como a Salvaguarda vai beneficiar o produtor brasileiro se os vinhos produzidos nos países pertencentes ao Mercosul não serão afetados? 
Talvez o amigo(a) não saiba, mas os acordos comercias realizados pelo Mercosul não podem ser desrespeitados! Ou seja vinhos uruguaios, argentinos e chilenos continuarão gozando dos privilégios que já possuem! 
Assim, posso concluir, com boa probabilidade de estar correto, que a Salvaguarda vai privilegiar de fato os vinhos de origem Mercosul, incluindo os brasileiros, mas que estes dificilmente terão um substancial crescimento de mercado, já que quando falamos da relação preço x qualidade, também conhecido como custo-benefício, os importados são mais seguros e confiáveis, quero dizer, melhores. E antes que me digam que estou louco e irracional, o absurdo crescimento dos vinhos chilenos em nosso mercado é a comprovação destes argumentos... 
E ao fim de toda essa divagação chego a RIDÍCULA conclusão que a Salvaguarda não serve para o vinho brasileiro... e que os chilenos e argentinos devem estar esperando ansiosamente pela aprovação! Afinal o Brasil é um dos poucos países no mundo onde o consumo per capta cresce...
Forte Abraço!

Semana Santa, Bacalhau & Vinho


Não é que já chegamos a Semana Santa de 2012... o tempo tem voado! E Semana Santa é sinônimo de Bacalhau, a preferência de todos nós na Sexta Santa, que de sacrifício, convenhamos, não tem nada! 
Nesses dias todos nós corremos atrás de um vinho especial para esta aguardada refeição. Afinal a família estará reunida, é momento de alegria! E festa tem que ter bom vinho! 
Já o Bacalhau é tão saboroso e ao mesmo tempo tão versátil! Pode ser preparado de inúmeras formas que nos propõe um desafio de harmonização, acho que o Daniel Perches gostou dessa palavra (desafio), o homem está preparando um programa, dá uma olhada clicando aqui!
Voltando ao assunto que interessa, vinhos para acompanhar o Bacalhau. Bom, temos uma regra de harmonização, devemos escolher vinhos/bebidas de mesma origem dos pratos, Bacalhau é português - na verdade foram os portugueses que introduziram o bacalhau na alimentação, mas, atualmente, estes peixes são pescados mais ao norte do Oceano Atlântico especialmente por barcos noruegueses - vinho Português! 
Com postas e lombos assados lentamente, acompanhados de batata, cebola, alho, brócolis, etc, eu sigo esta regra a risca e sempre opto por vinhos tintos do Alentejo ou do Douro. De preferência com passagem por madeira, mas nada exagerado, 12 meses no máximo e se possível de segundo uso. Esse ano vou de Bafarela Reserva 2007 - Douro. 
Agora se o seu bacalhau for feito em lascas ou desfiado e ainda levar molho branco ou natas, sugiro um vinho branco. Prefira um vinho com boa untuosidade para acompanhar bem o molho que deve sobressair no prato. 
Há sempre boas opções portuguesas de brancos, mas temos uma certa dificuldade de encontrarmos em redes de supermercados e pequenos empórios... Sendo assim um bom Chardonnay sul-americano "quebra o galho" com facilidade... tem que passar por madeira, pelo menos uns seis meses. Eu prefiro com um pouco mais de tempo de garrafa, ou seja uma safra de pelo menos 03 anos de idade, a integração entre a fruta e a madeira já deve ter ocorrido para uma boa experiência gastronômica.  
Só mais uma dica... tem um site muito bom sobre Bacalhau, com fotos do peixe, quem diria?! Você pode ver a cabeça do Bacalhau pela primeira vez, além de conhecer um pouco da história e aprender mais de 100 receitas! Trata-se do Mundo do Bacalhau.
É isso! Que todos nós tenhamos uma semana tranquila e um belo almoço na sexta-feira! 
Forte abraço!

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