Tudo sobre Chianti! #cbe


Nesse mês de setembro, o amigo Alexandre Frias, Diário de Baco foi o responsável por indicar o tema da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE), e ele 'mandou': "Beba um Chianti!" 
Confesso que fiquei feliz com o tema pois para mim Chianti é muito especial. Todos que acompanham este blog sabem da minha paixão pelo Chatêaneuf-du-Pape, paixão herdei do meu pai, mas os vinhos que sempre estiveram sobre a mesa no dia a dia da minha infância e adolescência foram os Valpolicellas e os Chiantis. 
Porém o mês de agosto me 'engoliu' e não pude degustar um Chianti como deveria para poder publicar por aqui. Nessa última semana ainda experimentei um interessante Colli Fiorentini da Fattoria di Lvcignano, mas estava jantando e não tomei as devidas anotações para poder postar aqui. Por isso decidí fazer um post comentando um pouco mais sobre Chianti, sua história e sub-regiões. 
Comecemos pelo 'Gallo Nero', você já deve ter reparado que algumas garrafas de Chianti levam um galinho preto na cápsula que protege o bico da garrafa e a rolha. Na verdade esse símbolo é uma marca que atesta a qualidade do vinho pelo Consorzio Vino Chianti Classico. Mas porque o 'Gallo Nero' é o símbolo do Chianti? A Lenda do 'Gallo Nero' responde... 
Conta essa deliciosa história que na época medieval Firenze e Siena disputavam de forma sangrenta, digamos assim, o território de Chianti e não conseguiam definir a fronteira. Cansados das batalhas decidiram encerrar a disputa de uma forma inusitada e pacífica. 
A disputa ocorreria entre dois cavaleiros, um de cada comuna, que partiria em direção a outra comuna assim que o galo cantasse e no local que se encontrassem seria definida a fronteira. Os cidadãos de Siena escolhera um belo e forte galo branco, já os fiorentinos escolheram, digamos, um galo negro, magro e sofrível. 
Resultado? Antes do dia amanhecer o 'Gallo Nero' já estava cantando, devido a fome que sentía, enquanto o branco levou mais algum tempo para cantar... Assim a fronteira se estabeleceu a míseros 12 km de Siena e Firenze comemorou a vitória e o território de Chianti. 
Depois dessa história vamos a alguns dados geográficos de Chianti, primeiro lembremos que Chianti fica na apaixonante Toscana, e que tem um índice pluviométrico aproximado de 800mm e clima mediterrâneo (Seco e Quente).
Falemos agora um pouco do Chianti, são 08 suas sub-regiões, Chianti Classico,  Rufina, Colli Senesi, Colli Fiorentini, Colli Arentini, Colli Pisane, Montalbano e Montespertoli. O mapa demonstra a localização de cada região.

Me permitam mas particularmente divido o Chianti em 03 regiões, porque acho mais fácil compreender os estilos dentro de cada região, em que pese ser muita ambição da minha parte fazer isso. 
Primeiro a principal região do Chianti, Classico! É a região de origem da DOC compreendida entre as cidades de Siena e Firenze. Nela encontramos a melhor expressão do Chianti com vinhos de fruta e acidez intensa e com potencial para envelhecimento; alguns até com potencial para 10 anos ou mais, especialmente os Riservas. Importante saber que no Classico hoje são permitidas, em pequenas quantidade, algumas uvas francesas na composição do vinho. 
A segunda região que me agrada é Rufina, onde os Chaintis são mais elegantes e que realmente precisam de um bom tempo em garrafa para demonstrarem toda sua qualidade. Ou seja quando comprar um Rufina, esqueça ele na adega por algum tempo, você vai ganhar com isso! 
Por fim as demais sub-regiões, é um exagero meu colocar elas todas no 'mesmo saco', mas aqui os chiantis joviais, com fruta proeminente são agradabilíssimos e acompanham quase todas as massas com molhos simples de forma prazerosa. 
Quando compro um Chianti sempre me apego a essas referências. Acho que realmente valem a pena, em que pese já ter me surpreendido algumas vezes... 
Por fim, se for a Toscana em setembro não perca a Expò del Chianti Classico, confira no vídeo! 
Forte Abraço! 

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