Entrevisa Virtual: Alison Luiz Gomes da Azamor

Herdade do Rego

Mais uma oportunidade gerada pela Grande Degustação de Vinhos Portugueses no Brasil 2013, dessa vez entrevistei Alison Luiz Gomes, produtora do Alentejo, responsável pela Azamor. Apesar de nosso contato ter sido virtual, achei contagiante a energia da Alison, confiram!
VV – Alison, conte-nos um pouco da história da Azamor? De onde vem à paixão pelo vinho? 
Os vinhos Azamor são produzidos na Herdade do Rego no Alentejo, em Portugal, perto da cidade de Vila Viçosa, entre Borba e Elvas, numa das zonas mais altas da região, o que tem sido uma mais-valia enorme para a qualidade dos nossos vinhos. 
A Herdade foi comprada em 1998 por mim e pelo meu marido Joaquim Luiz Gomes. 
Aquisição lógica já que a herdade pertencia à família Luiz Gomes desde há muitos anos. A paixão pelo vinho existe desde sempre na nossa família e apaixonámo-nos imediatamente pelo sítio: a herdade tem muito por onde explorar com um olival grande e a possibilidade de ter cavalos, outra grande paixão nossa! Este sítio, perto da natureza, é ideal para relaxar e oferece paisagens diversas ao longo das estações e vistas soberbas. 
A adega, concluída em Julho de 2007, é moderna e tem 4 salas de provas e uma capela familiar. 
É de resto um sítio onde a nossa família, tenho 3 filhos, gosta de se reunir ao fim-de-semana ou durante as férias. Vivemos em Lisboa e vou à herdade todas as semanas um ou dois dias nos períodos de menos atividade e vivo lá a tempo inteiro nas outras alturas! 
VV – Vi que também trabalham com cepas internacionais, francesas, porque elas se adaptam tão bem ao terroir do Alentejo?  
O estudo do solo no início da atividade permitiu-nos identificar estas castas como as que melhor se adaptam ao nosso terroir. De momento temos castas Portuguesas como a Touriga Nacional, a Touriga Franca, Trincadeira e Alicante Bouschet e internacionais, Syrah, Merlot e Petit Verdot. Não procuramos rendimentos altíssimos na vinha para manter uma qualidade constante e notável. 
Situadas a 350m de altitude, as vinhas foram plantadas em 2001 e 2002 por nós. A orientação da vinha é norte-sul e a densidade de plantação contribuí para uma superfície foliar exposta por ha que é 3 vezes superior à média nacional. 
Os nossos solos são de argila bem drenados com uma rocha entre 1 a 2m de profundidade em função dos sítios o que confere qualidade aos nossos produtos. 
Na região, os verões são muito quentes (+40ºC) e os invernos rigorosos (abaixo 0ºC). A precipitação média anual é de 450mm. Graças a uma aragem fresca de noite no verão, a temperatura baixa até aos 20-25ºC, o que é perfeito para a vinha e as castas que aí plantamos! 
Temos um sistema de rega deficitária controlada que faz das nossas uvas um fruto pequeno e concentrado, contando com 30% de trans-evaporação. Na vindima, as nossas uvas são mais pequenas que a média, o que torna os aromas mais intensos, os taninos maduros e suaves: é esse o terroir dos vinhos Azamor. 
É esta autenticidade e tipicidade aliadas ao savoir-faire moderno que fazem dos nossos vinhos o que são. 
VV – Preciso admitir que sou fã da Petit Verdot, como é o Azamor Petit Verdot? 
Podemos dizer que uma das características transversal a todos os Vinhos Azamor  é a elegância, pelo menos é o que me esforço sempre atingir. O Alentejo é uma região muito quente e é fácil obter-se vinhos alcoólicos, com imensa intensidade em boca, verdadeiras "bombas", mas que depois é difícil repetir uma taça. Procuro sempre que os meus vinhos possam ser bebidos com ou sem comida, mesmo se em Portugal e penso no Brasil também, os vinhos sejam degustados durante as refeições. 
Apesar de ser monocasta, o nosso Petit Verdot é complexo, frutado e com taninos suaves e um final de boca longo. Dizem dele que é um vinho ao estilo clássico Francês... mas bem alentejano e Português! 
Para além do Petit Verdot, temos o nosso Azamor, o nosso Azamor Selected Vines e o Icon que apenas produzimos em anos excpecionais. 4 referências de vinhos tintos "apenas"! 
VV – Como foi a safra 2012? E como está o ano de 2013? 
A safra de 2012 foi excelente a nível de qualidade, com uma quantidade um pouco reduzida. Mais concentração, estou a gostar imenso da evolução dos vinhos e do que obtivemos dessa safra. Vai ser, sem dúvida, um grande ano para os nossos vinhos. 
Para 2013, ainda é um pouco cedo para dizer. O verão demorou a chegar, o inverno foi longo e com mais chuva que o habitual. O crescimento, apesar de um pouco mais tardia esta a correr muito bem. 
VV – Fale-nos também um pouco mais dos outros projetos da Herdade do Rego, como o Olival?  
A herdade tem um total de 260 ha, 27 ha dos quais plantados com vinhas, 140 de olival e 30 de sobreiros e pinheiros. Os restantes são a "casa" dos nossos cavalos lusitanos! O olival é portanto uma parte importante da nossa atividade e também requer a minha presença na altura da apanha da azeitona. É um trabalho diferente mas a magia da natureza a operar também funciona com o olival, não é apenas na vinha! 
As nossas castas de azeitona são: Galega de Évora, Azeiteira, Carascanha, Redondil, Arbiquina, Blanqueta, Picual. Produzem azeites distintos e de qualidade. Os solos são ricos em matéria orgânica e são arenosos. A propriedade é antiga (há 45 anos que metade da propriedade é dedicada à plantação de oliveiras) mas as azeitonas têm um aroma excelente. A apanha tem lugar entre Novembro e Janeiro, sendo que 75% é feita mecanicamente e 25% manualmente. Vendemos quase todas as nossas azeitonas porque ainda não temos lagar para produção de azeite, mas ficamos sempre com uma parte para o nosso consumo próprio e para oferecer aos nossos convidados! 
VV – Mudando um pouco o foco da nossa conversa para Mercado. Quais os projetos para o Mercado Internacional?  Para quantos países exportam?  
A Azamor exporta 80% da sua produção total que são cerca de 80.000 garrafas por ano. Exportamos quase exclusivamente para a Europa, porque foi por aí que comecei a desenvolver o meu trabalho comercial: Reino Unido (sou Inglesa, portanto foi bastante natural para mim começar por este mercado), Alemanha, Luxemburgo, Suécia e Suíça. 
A estrutura da empresa é muito pequena, sou eu que desenvolvo na totalidade o trabalho de exportação também e prefiro concentrar-me num ou dois mercados por ano, quando tenho que "abrir" novos mercados. 
Este ano será o ano do Brasil para mim! 
VV – Até que ponto a crise econômica que a Europa vive influencia nos projetos para o Mercado Internacional? 
Claro que temos visto consequências da crise econômica no mundo inteiro e mais especificamente na Europa. Mas no meu caso, as minhas vendas e exportações têm crescido de uma forma constante, claro que também crescem mais devagar, mas continuam a crescer, é o que interessa. 
Penso que as pessoas sejam mais cuidadosas ao escolher os seus vinhos e procuram uma relação preço/qualidade mais interessante para eles. Penso que os vinhos Azamor têm preços justos dentro das suas categorias. E principalmente são diferentes dos outros vinhos Alentejanos e Portugueses, pelo menos é o retorno que tenho quando estou em prova. São vinhos muito Portugueses e ao mesmo tempo muito modernos e elegantes. O Alentejo é uma das regiões das grandes empresas, o projeto Azamor é Boutique e quero mantê-lo assim! Os consumidores procuram autenticidade nos vinhos, e isso eu posso oferecer-lhes! 
VV – Mais especificamente porque estar presente no Mercado Brasileiro? 
O mercado Brasileiro sempre foi de grande interesse para mim, mas, como disse, ainda não tinha a oportunidade de me dedicar a ele. É um mercado importante para os vinhos Portugueses e para os vinhos do Alentejo mais especificamente e faz imenso sentido estar nesse mercado e dar a conhecer os meus vinhos aos consumidores Brasileiros. Acredito que os apreciadores Brasileiros saberão reconhecer o valor do produto que gostava de pôr no mercado. Estes mercados que são mais longínquos requerem um cuidado particular em manter relações frequentes com o importador e os clientes, isso eu sei e vou fazer! 
VV – Misturando um pouco dos dois assuntos que tratamos até agora, de uma maneira geral o consumidor brasileiro é jovem no mundo do vinho, temos muito a aprender e conhecer, considerando esse nosso perfil, o que é mais atraente no Vinho Alentejano? E nos vossos vinhos? 
Como disse, os nossos vinhos são modernos e feitos para serem apreciados por consumidores com muito ou pouco conhecimento. Penso que seja esse o segredo do seu sucesso em mercados tão competitivos como o Inglês e o Alemão por exemplo. A imagem também é arrojada, mas simples e elegante. 
Daquilo que sei do consumidor brasileiro, apesar de ser jovem no mundo do vinho, sabe o que quer e as marcas de que gosta. Tenho a sorte, neste caso, de produzir vinhos da região do Alentejo que já têm alguma notoriedade aqui no Brasil. Espero que os vinhos e a imagem seduzam o consumidor brasileiro e as importadoras! 
VV – Algumas curiosidades... sempre faço essa pergunta com o objetivo de despertar o lado enófilo do produtor, você conhece os vinhos e espumantes brasileiros? Se sim, qual ou quais? Foi uma experiência agradável? 
Já ouvi muito falar nos espumantes brasileiros e sei que têm qualidade e que estão a ganhar cada vez mais reconhecimento internacional. Ainda não provei, mas esta viagem ao Brasil vai ser para mim a oportunidade de provar os espumantes da Cave Geisse, mas também os vinhos da Lídio Carraro que me foram referenciados. 
VV – Por fim, sua adega particular deve ser repleta de vinhos Azamor, mas acredito que com todas as feiras e viagens que fazem, surgem muitas oportunidades de experimentar vinhos de todo o mundo. Algum vinho marcante? E na vossa adega tem alguma região fora de Portugal que detém um espaço especial? 
É impossível escolher! 
Estudei Marketing de Vinhos na UC Davis nos Estados Unidos e enologia na universidade Católica do Porto, portanto gosto muito dos vinhos Californianos e do Douro. Claro que os vinhos Franceses mais clássicos também fazem parte da minha lista de favoritos.

Entrevista Virtual: Mafalda Teixeira e a Quinta da Raza


Hoje começa mais um evento da Vinhos de Portugal, a Grande Degustação de Vinhos Portugueses Brasil 2013 e em virtude desse evento tive a oportunidade de enviar algumas perguntas a Mafalda Teixeira, produtora da Quinta da Raza, que fica na região dos Vinhos Verdes e deseja adentrar o mercado brasileiro. Apesar de virtual, eu afirmo que foi um "bate papo" bacana e informativo.
VV - Mafalda, conte-nos um pouco da história da Quinta da Raza?
A Quinta da Raza situa-se em Peneireiros, Celorico de Basto, Sub-Região de Basto (DOC), em plena Região dos Vinhos Verdes.
A sua história remonta a meados do século XVII, estando desde sempre na família Teixeira Coelho.  
Esta exploração mereceu o prêmio de melhor Exploração Agrícola em 1999, atribuído pela Feira Internacional da Galiza. A Vinha da Raza, foi premiada no concurso da CVRVV “A Melhor Vinha” em 2002, 2003, 2007, 2009 e 2011.
Desde 1987, José Diogo Teixeira Coelho, desenvolve a sua atividade vitivinícola, tendo sido considerado, pela CVRVV (Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes), em 2008, o “Jovem Viticultor do Ano”.
Utilizando tecnologia avançada, preserva as tradicionais técnicas de produção de vinhos verdes, i.e. colheita manual das uvas e pisa das uvas tintas em lagares de pedra centenários dando primordial importância à preservação do ambiente.
Os vinhos produzidos exclusivamente com as uvas da Quinta têm sido premiados em concursos e revistas da especialidade.
A Vinha
Na Quinta da Raza somos privilegiados pelas belas paisagens, com uma flora e fauna bastante diversas e únicas. Queremos contribuir para a riqueza do nosso ambiente natural.
Todas as nossas práticas agrícolas tentam, na medida do possível, ter uma visão holística do nosso meio ambiente. Assim sendo, orientamos a nossa viticultura e vinificação para manter e promover a diversidade de flora e fauna ao nosso redor. Somos uma empresa certificada e praticamos a produção integrada, um código de conduta da UE estabelecido pelo IPP (Política Integrada do Produto).
http://ec.europa.eu/environment/ipp/
http://europa.eu/legislation_summaries/consumers/consumer_safety/l28011_en.htm 
O nosso Peneireiro (pequeno falcão)
Um dos eventos mais emocionantes ao passear pelas nossas vinhas é contemplar um pequeno falcão raro que se chama Peneireiro (Falco naumanni) pairando sobre as vinhas e de repente voando baixo para apanhar a sua presa. Para nós, é um indicador de que há um equilíbrio saudável na natureza que nos rodeia.
É por isso que usamos o Peneireiro como o nosso logotipo.
A nossa Equipa
Valorizamos a nossa comunidade local. O Diogo nasceu e foi criado aqui e todos os nossos colaboradores pertencem à  localidade. O nosso ethos garante que eles são todos membros integrantes da equipa, entendem e partilham a filosofia da Quinta da Raza que, simplesmente diz: precisamos todos de contribuir positivamente para o desenvolvimento consistente e para a atmosfera jovial da nossa empresa.
Além disso, nós praticamos uma política de uma adega de portas abertas, onde as pessoas podem vir, provar o vinho e ver o que fazemos.
VV- Com que cepas trabalham? 
Trabalhamos com as uvas tradicionais e autóctones da Região dos Vinhos Verdes: Alvarinho, Arinto, Azal, Trajadura, Avesso, Padeiro e Vinhão
VV – Fale-nos também um pouco da Sub-Região de Basto, o que a diferencia das demais regiões do Vinho Verde?
Celorico de Basto, perto da Região do Douro, apresenta um microclima influenciado pelo Rio Tâmega e pela Serra do Marão que interceptam os ventos Atlânticos.
Com encostas suaves, exposição solar magnífica, altitude de 250 metros, terrenos de origem granítica, com áreas argilo-xistosas, pouco comuns na Região dos Vinhos Verdes, a Quinta da Raza apresenta um terroir único, realçando-se a cultura da vinha pela qualidade de uvas produzidas, desde o Azal, Arinto, Vinhão ao Alvarinho
VV – Como foi à safra 2012? E como está o ano de 2013 em Basto?
A safra de 2012 não foi abundante em quantidade mas foi de excelente qualidade, vinhos frescos com acidez equilibrada.
O ano de 2013 apresenta uma boa nascença mas ainda é cedo para falar sobre a qualidade e quantidade das uvas.
VV – Mudando um pouco o foco da nossa conversa para Mercado. Quais os projetos da Quinta da Raza para o Mercado Internacional?  Para quantos países exportam? 
Atualmente, exportamos para 12 Países. Os principais mercados internacionais da Quinta da Raza são: Alemanha, Reino Unido, Holanda e EUA. Pretendemos expandir a empresa e incluir o mercado do Brasil.
VV – Até que ponto a crise econômica que a Europa vive influencia nos projetos para o Mercado Internacional?
A crise econômica Europeia tem impulsionado as exportações da nossa empresa para países extra-comunitários.
VV – Mais especificamente por que estar presente no Mercado Brasileiro?
O mercado brasileiro é um mercado bastante promissor para o consumo de vinho verde. As proximidades culturais, o clima excelente e a gastronomia brasileira proporcionam uma grande oportunidade para o aumento do consumo do vinho verde.
VV– Misturando um pouco dos dois assuntos que tratamos até agora, de uma maneira geral o consumidor brasileiro é jovem no mundo do vinho, temos muito a aprender e conhecer, considerando esse nosso perfil o que é mais atraente no Vinho Verde? E nos vossos vinhos?
O vinho verde é um vinho leve, fresco, com pouco teor alcoólico, perfeito para quem não está habituado a beber vinho. O nosso vinho é um vinho fácil de beber e descomplicado, sendo ideal para iniciar o hábito de beber vinho.
VV – Algumas curiosidades, procurando despertar seu lado enófilo, você conhece os vinhos e espumantes brasileiros? Se sim, qual? Foi uma experiência agradável?
Infelizmente não, mas terei oportunidade de provar quando visitar o Brasil.
VV – Por fim, sua adega particular deve ser repleta de vinhos da Quinta da Raza, mas acredito que com todas as feiras e viagens que fazem, surgem muitas oportunidades de experimentar vinhos de todo o mundo. Algum vinho marcante? E nessa adega tem alguma região fora de Portugal que detém um espaço especial?
Nós apreciamos bastante os Riesling da Alemanha e os Sauvignon Blanc da Nova Zelândia.

Olho de Mocho Reserva 2009


Retomando os vinhos da Herdade do Rocim que experimentei na última segunda, dia 17. O segundo vinho da noite foi este Olho de Mocho, um belo vinho que estagia 12 meses em Carvalho Francês
Na taça cor rubi com reflexo púrpura. É um vinho de painel aromático intenso e complexo. Começou denotando frutas negras maduras, figos, ameixas com destaque para a jabuticaba, muitos aromas secundários e terciários como balsâmico, uma persistente borracha, chocolate amargo, etc. 
Na boca é um vinho bem agradável, com aquela pegada de Novo Mundo, estruturado em boca, intenso, taninos volumosos e macios, boa acidez, pegadinha alcoólica no final para esquentar o coração. Boa persistência confirmando as frutas negras. 
Acredito que vá bem com porco com molho de frutas negras, como ameixa. 
Forte Abraço!

As Principais Uvas do Mundo: Sauvignon Blanc

A Sauvignon Blanc é uma uva muito peculiar, produz vinhos de caráter rústico, as vezes áspero, mas deliciosamente refrescantes. Vinhos que alcançam o apogeu logo nos primeiros meses de vida, devem ser consumidos jovens portanto. 
Nativa do Loire, esta uva se adapta muito bem a climas frios, nos quentes produz vinhos pesados e sem expressão. Não é muito amiga das barricas de carvalho, mas em alguns casos raros surpreende. 
É famosa em Bordeaux onde encontrou sua grande parceira a Sémillon. Mas existem outros lugares no mundo capazes de produzir obras primas com a Sauvingon Blanc. Lugares frios é claro... 
O principal terroir fora da França é Marlborough na Nova Zelândia, onde normalmente produz vinhos varietais, de caráter frutado, com aromas de frutas tropicais, ervas e aspargos. Apesar de sempre se recomendar o consumo da Sauvignon Blanc até o segundo ano de vida, na Nova Zelândia pode até se aguardar um pouco mais, tamanha a qualidade por lá! 
África do Sul e as regiões frias e litorâneas do Chile são suas outras casas favoritas! Para nós, brasileiros, os Sauvignons Blanc chilenos inundam o mercado e tem preços acessíveis e qualidade, sempre uma boa pedida para os dias de calor! 
Forte Abraço!

Herdade do Rocim Tinto 2009


Recebi este vinho para mais uma degustação virtual do Winebar, projeto muito legal onde as pessoas/bloggers bebem e comentam o vinho pelo Facebook. 
Mas retomando, essa degustação rolou ontem e tratou dos vinhos da Herdade do Rocim, produtor português, mas precisamente de Vidigueira, Alentejo. Começou apresentando este vinho, um corte alentejano já com a presença tradicional da Syrah. 
Na taça um vinho de cor rubi translúcida e chorão, muitas lágrimas pelas paredes da taça. Os aromas remeteram a frutas negras maduras e nuances de cravo, canela e outras especiarias. Na boca corpo médio, taninos maduros, mas acidez moderada e ponta alcoólica, me incomodou! Ficou desequilibrado.
Jantei com Penne a Calabresa, mas o vinho foi atropelado apesar dos taninos e corpo, provando que a acidez é fator determinante na harmonização. 
Apesar de não ter gostado do momento atual do vinho, acho que ele já deve ter sido bem  mais interessante... 
Forte Abraço!

Heartland Cabernet Sauvignon 2008, Exótico!


No dia que fiz a costela de cordeiro e experimentei o Maycas de Limarí Syrah 2009 estava na companhia de um bom amigo que trouxe esse Cabernet australiano para bebermos. E que cabernet diferente! 
Um varietal, 100% Cabernet Sauvignon produzido a partir de uvas de Langhorne Creek e Limestone Coast, opa! Corrigindo, não é um varietal, mas sim um corte de terroirs.
Na taça cor rubi translúcida, mais claro que o usual para cabernets. Mas foram os aromas que mais surpreenderam. Nada de fruta fresca ou especiarias. Tinha uma nota mentolada característica sim, mas também uma marcante rapadura dominava! Percebia-se também açúcar mascavo e frutas secas.
Na boca corpo médio, retrogosto confirmando a rapadura e as frutas secas, ponta alcoólica agradável e acidez moderada. Boa persistência. Em alguns momentos se tinha a impressão de estar bebendo um Porto. Um vinho que me parece estar no auge. 
A verdade é que já fazia um bom tempo que eu não bebia um Aussie Wine... curti muito este vinho e acho que preciso reforçar minha adega com mais vinhos australianos. 
Foi melhor com a costela de cordeiro que comemos aquela noite, por ser mais leve e a doçura do vinho casou bem com o purê de batata doce!
Forte Abraço!

Chianti La Marchesina 2009 & Cappelletti!!


Durante a semana é bom fazer aquela dieta para poder extrapolar no final de semana, não? Aqui em casa também é assim, mas tem dias que simplesmente não dá! Como numa terça fria e chuvosa que passou... 
Saí do serviço, passei no mercado, comprei cappelletti e o preparei a três molhos (sugo, branco e pesto). Fui a adega e saquei um Chianti, perfeito para acompanhar massas! 
O La Marchesina 2009 é típico! Cor rubi intensa, aromas de frutas silvestres, ervas, pimenta negra e balsâmico. Na boca corpo médio, acidez em alta e taninos rústicos. Persistência razoável. Bom vinho, ainda mais considerando que está na faixa dos R$ 30. 
E assim foi a gélida noite, massa e vinho para esquentar a alma e o coração. 
Forte Abraço!

Dica para o Dia dos Namorados! A Pior Harmonização da Minha Vida!!!


Hoje o amor está no ar! Dia dos Namorados pode ser até uma data comercial para muitos, mas para os apaixonados... é para lá de especial!!! Eu vou levar minha esposa para jantar e aproveitar a noite com ela, renovar a nossa paixão, isso faz bem, não é??? 
Aí me lembrei que tem gente, como eu, que gosta de impressionar, e pensei... "vai ter uma montanha de dicas nos blogs sobre o que fazer no Dia dos Namorados, mas será que vai ter alguma dizendo o que NÃO fazer???" 
Assim acabei decidindo escrever este post sem fugir do foco do blog, imaginando que muitos jantares românticos acontecerão hoje e todo mundo capricha nos pratos e nos vinhos!!! 
Não foi num dia como hoje, mas há uns 05 anos estava em Gramado viajando com meus pais, para falar a verdade eu não conhecia minha esposa ainda, mas retomando... fomos jantar, eu, meu pai e minha mãe. 
Meu pai apaixonado por Malbecs, até hoje, chegou no restaurante pediu a carta, não teve dúvidas e escolheu um rótulo que gostava, um varietal de Malbec. E como já havíamos combinado previamente iriamos janta Pato ao Molho de Laranja... 
Pelo amor de Deus!!! Eu nem tinha estudado muito de vinho ainda, era um iniciante, mas foi um erro fatal, o vinho ficou horrível na boca, muito ácido... não dava para comer e beber o vinho! Tinha que comer, beber água e depois beber o vinho... 
Portanto se o amigo ou amiga hoje quer impressionar na harmonização Pato ao Molhod e Laranja e Malbec não rola, ok? Melhor pedir uma dica para o Sommelier...
Forte Abraço!

Risoto de Camarão & Dr Loosen Riesling Trocken 2011


Quem me conhece sabe que eu não abro mão de um bom vinho alemão a mesa. Eu adoro os rieslings tanto do Mosel como o de Rheingau. E os vinhos Dr Loosen se tornarma obrigatórios  para mim, pelos seu bom custo benefício. 
Num domingo desses que passou, preparei um almoço rápido... risoto de camarão, um dos preferidos aqui em casa! Eu e minha esposa adoramos risoto e de camarão então... É com maçã verde, laranja, clássico, como for nós gostamos! 
Começo da tarde, vinho fresco na taça, cor amarelo palha, reflexo esverdeado, pegada mineral e de frutas cítricas nos aromas e na boca, onde também apresentou corpo médio e boa persistência. 
Não foi um espetáculo com o prato, mas fez seu papel corretamente! Vale a pena experimentar este vinho. 
Forte Abraço!

Animae 2008 par Reignac, Um Bordeaux de Respeito!

foto: www.diariodebaco.com.br
Visitando meu bom amigo Alexandre Frias tive a oportunidade de experimentar esse Bordeaux, um vinho do Chatêau Reignac, produtor que tem vinhos que já surpreenderam muitos Premier Grand Cru em degustações as cegas. 
O Animae 2008 é produzido a partir de videiras com mais de 40 anos de idade, o corte é 75% Merlot e 25% Cabernet Sauvignon e o envelhecimento é de 19 meses em barricas. Por fim o Château Reignac fica na AOC Entre Deux Mers. 
Se eu fosse resumir esse vinho diria que é um Bordeaux autêntico! É sério, austero, ao melhor estilo Bordeaux. 
Quando o degustamos logo percebemos aquela concentração típica dos grandes vinhos, a cor é rubí, escura, quase negra, com reflexo violáceo. Os aromas remetem ao clássico defumado de Bordeaux, bacon, muitas frutas negras maduras como mirtilo, desenvolvendo chocolate, pimenta negra e balsâmico. 
Na boca é um vinho estruturado, volumoso! Acidez em alta, excelente corpo, grande volume tânico, já sedoso, e retrogosto perene, confirmando as frutas negras. Excelente! 
Dois detalhes, nesse momento decantar é fundamental, ele precisa respirar pelo menos 30 minutos. E na verdade é um vinho para se guardar pelo menos mais uns 03 anos, tem muito a se desenvolver, eu esperaria até mais... 
Comida? É um vinho que se basta, um vinho de reflexão, para os grandes momentos e melhores amigos! 
Forte Abraço!

As Principais Uvas do Mundo: Cabernet Sauvignon

Se há uma variedade tinta dominante no mundo, essa uva é a Cabernet Sauvignon! Originária de Bordeaux, mais precisamente de Médoc/Graves, ela normalmente produz vinhos sérios, de muita personalidade e sabor. 
Mas apesar de ser a uva rainha do mundo, a Cabernet Sauvignon tem os seus segredos... É uma uva de casca grossa portanto faz vinhos tânicos. Também é de amadurecimento tardio, ou seja se adapta melhor a climas quentes. 
Quando bem cultivada e vinificada com afinco faz alguns dos grandes e mais longevos vinhos do mundo.  Aceita muito bem o envelhecimento em barrica. É capaz de fazer excelentes varietais, mas quando está em cortes com a Merlot e/ou a Cabernet Franc faz vinhos ainda melhores... 
Depois de Bordeaux, tem como principais 'lares' a Califórnia e o Chile. 
Forte Abraço! 

Bacalhau à Minhota & Chardonnay Argentino!


Quem não gosta de Bacalhau? E Blog de vinho sempre fala de Bacalhau, não é? Bacalhau é um dos temas preferidos quando se fala sobre harmonização. 
Mas eu estava de férias, naquela vida boa e fui para a cozinha, reproduzir uma receita que minha mãe me ensinou na última Páscoa, o Bacalhau à Minhota. Fui bem, mas preciso melhorar para chegar no nível da minha mãe, afinal mãe é mãe, né!? 
Esse Bacalhau não é demorado de fazer e logo já estava na adega escolhendo o vinho, mas foi aí que percebi o meu erro, um Bacalhau ao estilo do Minho tem que ser com Vinho Verde e eu não tinha nenhum na adega. 
Decidi permanecer nos brancos e escolhi um chardonnay argentino, com pouco estágio em madeira, procurando preservar uma escolha pela acidez, fui de Tamari Chardonnay 2012. 
Este é um vinho de cor amarelo palha pálida, com suave reflexo esverdeado. Aromas  tímidos denotando frutas brancas e cítricas e uma intrigante banana, talvez oriunda dos 03 meses de estágio em barricas de segundo uso. Na boca é um vinho de corpo médio, acidez moderada e sabor confirmando as frutas brancas e delicadamente doce. 
O Bacalhau à Minhota leva páprica em sua receita. Eu utilizei a picante e ela é um componente fundamental no sabor do prato portanto muito importante quando pensamos em harmonização! 
O Bacalhau e o vinho jogaram bem, não foi aquele entrosamento, mas ambos cresceram. A ponta doce do vinho teve no ponta salgada do Bacalhau sua contraparte, fazendo que sentíssemos mais a fruta cítrica do vinho. Porém para a picancia do peixe  faltou acidez para acompanhar, nenhum desastre, mas poderia ser melhor. 
Enfim o Tamarí Chardonnay é um bom vinho e é barato, gira os R$ 25. mas irá melhor com pratos de sabor menos acentuado! 
Forte Abraço!

Maycas de Limarí Reserva Syrah 2009, Tipicamente Chileno! #CBE


Nesse mês de junho o tema da Confraria Brasileira de Enoblogs foi escolhido por um dos fundadores! O amigo Gil Mesquita do Vinho para Todos! Como sempre ele mandou bem e escolheu a Syrah até R$ 100.
Eu escolhi esse chileno, já comentado por alguns amigos, e que foi comprado na Wine através do Clube W ano passado. Hoje o preço gira R$ 70, sócios pagam R$ 59,50. 
Decantei por 30 minutos, gosto de decantar os vinhos que bebo, mesmo que muitas vezes não seja sugerido. Evito apensa decantar vinhos mais leves como Chiantis, Dolcettos, Barberas, Pinot Noir, etc. E por que decanto quase sempre? Porque a experiência me mostra que regularmente o vinho só ganha com esse processo, aquela volatilidade de álcool muitas vezes desaparece, os aromas são mais perceptíveis e por aí vai... 
Na taça esse vinho do norte do Chile apresentou cor rubi escura, com reflexo violáceo. Os aromas entregaram muita goiabada, tipicamente chilena no mundo dos aromas, eu confesso que esse aroma me agrada muito, fazem parte do painel também especiarias, como canela, anis, pimenta preta, ervas frescas como alecrim e nuances do estágio em madeira como chocolate amargo. 
Na boca é um vinho potente, com grande volume em boca e boa acidez. Taninos maduros e retrogosto frutado e de boa persistência. Belo vinho! Vale a pena! 
Acompanhou costela de cordeiro e purê de batata doce com mostarda. Não foi a melhor harmonização, o vinho era um pouco forte especialmente para o cordeiro, mas teve seus momentos! 
Forte Abraço!

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