Você conhece o Battonage???

O Battonage é uma ferramenta dos enólogos para acrescentar complexidade ao vinho. Como sabemos  no processo de fermentação são geradas as borras, depósitos de leveduras. 
Em alguns casos os vinhos envelhecem sobre estas borras, normalmente quando já são fermentados diretamente em Barricas de Carvalho, este processo é conhecido como Sur Lie, tem como objetivo aumentar a integração entre a madeira e o vinho, acrescentando assim qualidade, através de maior cremosidade e profundidade aos sabores do vinho. Muitos dizem que a nota de avelã dos grandes Chardonnays da Borgonha vem desse processo.
Porém acontece que as borras são mais pesadas que o líquido e portanto se depositam no fundo do barril em dias, mas, como sabemos, os vinhos envelhecem até por anos em barricas, portanto é preciso colocar todo o vinho em contato com as borras, esse processo de agitar as borras para que elas entrem em contato com todo o vinho dentro da Barrica é o Battonage. 
O vídeo abaixo da Jordan Winery ajuda a ilustrar este processo. Aliás, dizem por lá, que o Battonage é música para os ouvidos do Enólogo...
Forte Abraço! 

Gimenez Mendez Idenity 2010 no Retorno ao El Fogón!


Recentemente passei uns dias no Uruguai, desta vez não fui fazer enoturismo, mas sim o turismo regular, se é que posso dizer desta forma. Viajei com a minha esposa e amigos e acabamos por passar um dia na Bouza, assunto para outro post... 
A única coisa que eu realmente fazia questão de repetir era ir ao El Fogón, restaurante no Centro de Montevidéo, na Av San Jose. Tive uma noite memorável lá no ano passado e queria repetir
O El Fogón tem uns vinhos de safras mais antigas na carta, alguns rótulos tem verticais a disposição. Mas acabei escolhendo algo mais novo desta vez, safra 2010. A verdade é que sempre gostei dos vinhos da Gimenez Mendez e ainda não havia provado nenhum neste retorno ao Uruguai. 
Escolhi o Idenity, um corte de Tannat, Syrah e Petit Verdot, vinho elaborado em homenagem a Marta Mendez, presidente da Bodega.
É um belo vinho! Na taça aquela cor rubi púrpura e lágrimas abundantes. Os aromas começaram fortemente marcados pelo carvalho, aquele aroma de bodega mesmo, barrica em contato com o vinho, mas com o decanter e o tempo foram evoluindo, vieram as frutas negras maduras, florais, especiarias como a pimenta do reino e canela e ervas como alecrim. Em dado momento a madeira retornou como chocolate e baunilha. 
Na boca mostrou-se um vinho potente, de grande estrutura, com acidez elevada e carga tânica volumosa e suave. Já casa muito bem com as carnes, mas não há duvidas que este vinho vai crescer nos próximos dois anos. Retrogosto frutado e persistente. 
Acompanhei com Assado de tira de Novilho... 
Forte Abraço!

Colomé Estate Malbec 2009, O #Malbec das Alturas!!! #cbe #winesofargentina


Neste mês tivemos o Malbec World Day, e a CBE recebeu o convite da Wines Of Argentina para degustarmos Malbecs variados ao longo de todo abril. 
Eu optei por este intrigante vinho de Salta, região já tradicional na produção dos melhores Torrontés argentinos. O importante em Salta é a altitude, acima dos 2.000m, com temperaturas mais amenas o frescor da uva e por consequência dos vinhos é sua potencial qualidade. 
O Colomé Estate Malbec 2009 foi produzido a partir de vinhedos que ficam entre 2.300m e 3.100m de altitude. Estagiou 12 meses em barricas francesas, 20% novas. Apesar de levar Malbec no rótulo, não é um varietal. É um corte com base de Malbec (85%), tem ainda Tannat, Cabernet Sauvigon e Syrah. 
O resultado é um vinho de coloração rubi intensa e sem reflexos. Os aromas remetem a frutas negras em geléia, pimenta negra, couro, terra molhada, chocolate, café, baunilha e uma dicreta nota de mineralidade. Um painel de ótima complexidade! O detalhe aqui é que aquele sutil floral da Malbec não dá o ar da graça. 
Na boca é um vinho que se impõe através do seu robusto corpo carregado de taninos macios e elevada acidez. Essa acidez que é resultado da altitude deixa este vinho menos doce que a maioria dos Malbecs que conhecemos, poi afinal os 14,5% de álcool estão lá! Um conjunto de maior equilíbrio portanto! No retrogosto sentimos a fruta mas tem uma interessante pegada mineral. 
Acompanhou um ragu de pernil de cordeiro que fiz numa noite de sexta-feira. Serví esse cordeiro sobre uma cama de purê de abóbora e polvilhei uma farofa de funghi por cima! Ficou bonito mas mais importante é que fez um belo par com a carne! 
Forte abraço!

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